sábado, 15 de outubro de 2011

Os Coptas e os infiltrados

Os tumultos verificados no Egito, confrontando cristãos coptas, muçulmanos e forças policiais, podem estar por explicar. É verdade que a minoria cristã, cerca de 10% da população, pode sentir pressão, mas os infiltrados do antigo regime de Mubarak também tiveram responsabilidades.
No Egito, vivem-se momentos de instabilidade. Diariamente surgem partidos políticos, criando um pluralismo desordenado que provoca dúvidas quanto à viabilidade da democracia. Estes protestos colocaram à prova a capacidade de resposta, dos militares no poder, perante a desordem pública. Falharam, logo está na hora de abandonar o poder.
Os cristãos coptas manifestam-se frequentemente, embora a violência nunca tenha sido uma arma recorrente. Esta característica levanta a primeira suspeita. Complementarmente, os relatórios da polícia revelaram que grande parte das vítimas mortais resultantes dos protestos foram atingidas por balas ou atropeladas por carros de combate. É preciso refletir para perceber o que justificou uma resposta tão dura por parte das forças de segurança.
A resposta imediata está associada à infiltração de indivíduos pró-Mubarak nas manifestações, que incitaram e amplificaram a violência. É necessário compreender o quadro na totalidade, percebendo as entrelinhas de forma a evitar condenações erradas, incitando, por consequência, mais violência.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sharia moderada na Tunísia

Rachid Ghannouchi, membro do maior partido islâmico tunisino, considerou a hipotese de aplicar um modelo de "Sharia moderada" no país do norte de África.
Aplicar a Sharia num país altamente dependente do turismo não me parece uma boa ideia. Quando se fala neste modelo de lei, em muitos casos desprovido de direito, lembramo-nos, invariavelmente, do caso afegão. Ahmed Rashid, jornalista paquistanês, relatou vários casos de violação dos direitos humanos, resultantes da aplicação da Sharia. Evidentemente que no caso afegão, aquando dos talibans no poder, estamos a falar de um regime islâmico radical, coisa que a Tunísia não é. No entanto, depois da experiência talibã, o nome Sharia pode assustar os turistas. Irá a Tunísia proibir o consumo de álcool?
Por outro lado, o investimento estrangeiro também pode sofrer consequências. O capital ocidental irá levantar muitas questões, nomeadamente sobre o enquadramento jurídico em matéria económica. Depois da revolução, é necessário captar investidores. Desconfio que a Sharia possa atrapalhar.
Para responder a estas dúvidas é essencial definir o conceito de "Sharia moderada".

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A China também é hipocrita

É verdade que a hipocrisia marca a agenda internacional. Também é verdade que os países, por vezes, são forçados a isso. Ora a China não é excepção.
 A China manteve acordos de armamento com o regime do coronel Khadafi que violavam a resolução 1970 da ONU. É verdade que isto não é novo. No entanto, o que realmente merece reflexão é o facto da China ter aprovado essa resolução. Por um lado, aprova e revela compromisso e, por outro, desenvolve negócios metendo ao bolso uns milhões. Ora, os interesses coordenam a acção. É a veia realista do estado a falar.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

África tem futuro!

Sabemos que é importante exportar para crescer, sem nunca descurar o consumo interno. Agora vejamos, os EUA cresceram 1,1% e a Europa 0,7%. Por outro lado, a China cresce 9% e a Índia 7,5%. Mas a verdadeira surpresa reside em Angola. Este país africano é o país que mais cresce, 10,8%. Ora, se é importante exportar, creio que os números são esclarecedores. África pode ser a solução. Portugal pode tirar grandes vantagens do crescimento angolano, a começar pela nossa afinidade cultural.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ai ai, o power shifting!

A Europa está a perder. A opinião pública norte-americana começa a olhar para o oriente. 51% dos cidadãos norte-americanos consideram que os países asiáticos são mais importantes para os seus interesses nacionais. Apenas 38% consideram os países da União Europeia.

domingo, 18 de setembro de 2011

Khadafi ainda não caiu

Do ponto de vista político, Khadafi perdeu todo o seu poder. A capacidade armada ainda lhe confere alguma influência interna, o dinheiro e o ouro permite-lhe ter poder externo. Os confrontos à entrada de Sirte intensificam-se e não se revelam fáceis os próximos tempos. Este é o bastião do coronel, até hoje impenetrável. É verdade que os voos da NATO continuam a sobrevoar e a atingir alvos do antigo ditador, mas não surtiram o efeito desejado.


O governo nacional de transição considera que a situação estará resolvida numa questão de dias, mas os intensos combates fazem acreditar no contrário. Seria importante capturar o coronel, pois caso contrário o conflito pode durar anos. De facto Sirte e Bani Walid irão cair e os rebeldes sairão vencedores, ou pelo menos tudo aponta para esse cenário. No entanto, os seguidores de Khadafi, com o coronel "à solta" podem aderir às técnicas de terrorismo e guerrilha para enfrentar o poder de Trípoli. Convém lembrar que Khadafi foi um patrocinador de terrorismo, sendo o mais mediático o atentado de Lockerbie.

sábado, 17 de setembro de 2011

Sabedoria de Napoleão, 1

Outrora, Napoleão Bonaparte disse:

A teoria não é a prática da guerra.

A distância entre a teoria e a prática é, para alguns, impossível de percorrer. De forma essencial, a guerra é uma arte prática, onde a teoria serve o pensamento em tempos de paz. Em guerra, aplica-se o conhecimento, por vezes insuficiente na resposta às contingências. A teoria tem dificuldade em particularizar, a prática deve superar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Formas de atacar

Desde 2001, mais de 2000 indivíduos foram executados com recurso a drones (aviões não-tripulados) pelas tropas norte-americanas. Guantanamo continua a servir como prisão para suspeitos de terrorismo, sem julgamento marcado. Obama autorizou a CIA a continuar com as "rendições", isto consiste em transferir suspeitos para países que colaboram com os EUA. O terrorismo tem, ainda, uma forte influência no desenvolvimento da politica externa norte-americana.


Descontentamento

De acordo com o Wall Street Journal e a NBC News, 51% dos norte-americanos disseram estar descontentes com a gestão de Obama. No mesmo estudo, 44% admitiu votar num candidato republicano.
Estes números não são nada otimistas para o presidente Obama. Pelo cenário apresentado, nem a morte de Bin Laden nem a vitória na Líbia parecem ter dado grande vantagem a Barack Obama.

Conferência de Imprensa

O comandante do AFRICOM, General Carter Ham, tem revelado grande preocupação com o terrorismo na região do Sahel. Esta conferência de imprensa, realizada em Argel, revela isso mesmo.